9 fev, 2021
por Daniel Geraldes
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Óleo de Palma – Indonésia

INDONÉSIA EM FOCO

A demanda global por óleo de palma será liderada por aumentos na renda per capita e da população. Como maior produtor mundial de óleo de palma, o crescimento da Indonésia vem apresentando tendência a queda, enquanto o biodiesel ocupará uma parcela cada vez maior do consumo doméstico.

Indonésia e Malásia são os maiores fornecedores mundiais de óleo de palma, respondendo por cerca de 85% da produção global. Os 15% restantes vêm de países como Tailândia, Nigéria e Colômbia.

A produção global de óleo de palma aumentou cerca de 5% ao ano nos últimos seis anos, passando de 52,6 milhões de toneladas em 2011/2012 para 74,5 milhões de toneladas em 2018/2019 devido a melhorias de produtividade, condições climáticas favoráveis e expansão de área, especialmente em países recém-produtores de óleo de palma.

A demanda de longo prazo será liderada pelo crescimento da população, aumento da renda per capita, aumento do consumo nos países em desenvolvimento e expansão do uso do óleo de palma.
Fatores que apontam para perspectivas positivas incluem a crescente demanda por alimentos de países como Bangladesh, Paquistão e EUA; e exportações estáveis para China, Índia e UE.

A crescente demanda por combustível e o uso obrigatório de biodiesel (em alguns casos à base de óleo de palma) em países como Indonésia, Malásia, Tailândia, UE e EUA são outros fatores positivos para a indústria do óleo de palma.

O óleo de palma é o óleo alimentício mais barato e que tem o maior rendimento por hectare entre todos os óleos vegetais. No entanto, o setor está ameaçado pelo aumento dos custos de produção, estagnação da produtividade, restrições comerciais entre os países importadores e uma percepção pública negativa.

Diminuição na produção
Como maior produtor mundial de óleo de palma, a taxa de crescimento da Indonésia vem apresentando tendencia a queda. O crescimento médio anual da produção de óleo de palma do país foi de 10% em 2005-2010, 8% em 2010-2015 e 3% em 2015-2020, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No geral, a produção deve manter apenas uma lenta expansão de 3% ao ano no período de 2020-2027.

Uma moratória sobre a emissão de licenças para abrir novas plantações, incentivos de preços reduzidos, padrões climáticos extremos, uma lacuna de produtividade entre os pequenos proprietários e as plantações privadas, e a publicidade negativa relacionando o óleo de palma a questões ambientais, de saúde e de trabalho infantil continuará a impedir a expansão da produção.

O declínio nas vendas de sementes nos últimos cinco anos confirma ainda mais a perspectiva de baixo crescimento da produção em 10 anos. As vendas de sementes de palma caíram de 171 milhões em 2012 para 103 milhões em 2014, para 52 milhões de sementes em 2016, de acordo com a Indonésia Oil Palm Seed Producer Association.

Como segundo maior produtor de óleo de palma, a expansão da produção da Malásia também tende a cair, com um desempenho de crescimento muito mais lento em comparação com a Indonésia.

A taxa de crescimento média anual da produção de óleo de palma da Malásia foi de 3,2% em 2005-2010, 2,3% em 2010-2015, 0,7% em 2015-2020 e projetada em 1% em 2020-2027, de acordo com o USDA.

A produção futura de óleo de palma será desafiada por vários problemas, incluindo uma baixa taxa de replantio, resultando em uma alta proporção de safras antigas e produtividade estagnada. A Malásia também enfrenta escassez de mão de obra colheita e a grande limitação de terras disponíveis para novos plantios.

Em contraste, outros países produtores com boa oferta de terras devem estar em boa posição para compensar as perspectivas de baixo crescimento na Indonésia e na Malásia.
O investimento estrangeiro direto (IED) em termos de capital e tecnologia terá um papel central no apoio à expansão da produção nesta nova fronteira.

No entanto, a falta de incentivos de preços, as condições sócio-políticas incertas e os altos custos da mão de obra na América do Sul – como no Brasil – limitarão o fluxo de IED para esses países no médio prazo.

À luz de todos os desafios, a produção de óleo de palma em outros países produtores deve crescer 2-3% ao ano, de 9,5 milhões de toneladas em 2017 para 12,8 milhões de toneladas em 2027, o que é considerado insuficiente para compensar a desaceleração da produção na Indonésia e na Malásia.

Tendências de consumo
O consumo mundial de óleo de palma se expandiu a uma taxa de crescimento anual de 5,3% no período 2011/2012-2016/2017 devido ao crescimento da população e da renda, aumentando o uso de combustível e a competitividade de preços. Índia, Indonésia e UE são os principais países consumidores, seguidos por China e Malásia. A Indonésia não é apenas o maior produtor mundial de óleo de palma, mas também se tornará o maior consumidor devido ao seu programa de mistura obrigatória de B20.

A China experimentará um crescimento estável do consumo devido a uma moderação no crescimento do PIB. Apesar de várias campanhas negativas contra o óleo de palma, a UE continua a ser um mercado de exportação estável.

Para o período 2017-2027, o uso crescente de combustível, o crescimento populacional, especialmente em países em desenvolvimento e a demanda emergente de novos países importadores, como Paquistão, Irã e Bangladesh, serão fatores positivos que levarão ao crescimento do consumo de óleo de palma. Por outro lado, a desaceleração do crescimento econômico da China e as campanhas negativas mais intensas contra o óleo de palma podem desacelerar o ritmo de consumo.

Com base nesses fatores mistos, prevê-se que o consumo de óleo de palma cresça em um ritmo mais lento do que nos últimos cinco anos. A LMC International prevê que a demanda global de óleo de palma crescerá 3,1% ao ano no período de 2015-2025.

Preços de óleo de palma
Desde 2007, quando muitos países lançaram programas obrigatórios de biocombustíveis nos quais o óleo de palma é uma matéria-prima do biodiesel, o preço do óleo de palma está intimamente relacionado ao preço do combustível fóssil. Como resultado, o preço do combustível fóssil se torna um fator importante na determinação dos preços do óleo de palma. As projeções de produção e demanda de óleo de palma indicam excesso de demanda entre 2017-2027, sugerindo tendência de alta dos preços.

Os preços do petróleo bruto também devem permanecer firmes na próxima década, proporcionando incentivos para um aumento estável a gradual dos preços do óleo de palma (CPO).

De acordo com relatório de abril de Perspectivas dos Mercados de Commodities do Banco Mundial (The April World Bank Commodity Markets Outlook) confirma um aumento moderado (um crescimento anual de 2,3%) nos preços do óleo de palma de US$ 639/MT em 2018 para US$ 743/MT em 2025.

Produção da Indonésia, exportações
A produção de óleo de palma da Indonésia deve aumentar ao longo do tempo e chegar a 60 milhões de toneladas em 2025, enquanto as exportações devem diminuir à medida que o uso doméstico aumenta, principalmente devido ao programa de biodiesel do país. O uso industrial permanecerá relativamente estável, enquanto o uso de biocombustíveis aumentará significativamente.

A exportação de produtos de óleo de palma cresceu de 27,46 milhões de toneladas em 2015 para 35,83 milhões de toneladas em 2019, com oleoquímicos e biodiesel apresentando o crescimento mais significativo.

Em 2019, a China foi o principal mercado de exportação da Indonésia, com 8,14 milhões de toneladas. Este foi seguido por outros mercados (7,72 milhões de toneladas); EU (5,74 milhões de toneladas); Índia (5,16 milhões de toneladas); África (3,02 milhões de toneladas); Oriente Médio (2,48 milhões de toneladas); Paquistão (2,23 milhões de toneladas); EUA (1,51 milhões de toneladas); e Bangladesh (1,38 milhões de toneladas).

O consumo doméstico de produtos de óleo de palma da Indonésia aumentou de 8,31 milhões de toneladas em 2015 para 16,73 milhões de toneladas em 2019. A principal área de crescimento foi para o biodiesel, com a demanda aumentando 794.000 toneladas em 2015 para 5,81 milhões de toneladas em 2019. O uso oleoquímico quase dobrou de 544.000 toneladas em 2015 para 1.056 milhões de toneladas em 2019. O consumo doméstico de óleo de palma para uso alimentar cresceu de forma constante de 6,971 milhões de toneladas em 2015 para 9,860 milhões de toneladas em 2019.

Olhando para frente
A produção de óleo de palma da Indonésia em 2020 deverá ser cerca de 1,5% menor que em 2019. O impacto do padrão climático El Niño em 2019 levou a uma queda na qualidade dos cachos de frutas frescas. Combinado com preços baixos, isso levou a uma queda de 30-40% na manutenção e aplicação de fertilizantes pelos pequenos produtores.

As atividades de produção e exportação do país continuaram a operar normalmente em 2020, apesar da pandemia COVID-19, mas com protocolos de saúde em vigor. A indústria do óleo de palma não foi afetada pelas medidas de distanciamento, uma vez que foi incluído na categoria “atividades econômicas essenciais”. No entanto, o movimento trabalhista foi restringido.

A demanda geral por óleo de palma em 2020 diminuiu, principalmente devido ao impacto econômico do COVID-19.
O consumo em 2020 foi menor devido à queda na demanda das indústrias de biocombustíveis e de alimentos. Essa queda foi resultado da desaceleração econômica global e das dificuldades em cumprir os programas obrigatórios de biocombustíveis em vários países, à medida que a diferença entre o preço do CPO e o dos combustíveis fósseis aumentou.

A China experimentou quarentenas regionais dificultando o acesso aos portos. Na Índia e no Paquistão, o preço não competitivo do óleo de palma levou a uma queda na demanda. A Índia também implementou novos regulamentos que dificultaram as importações de óleo de palma. Apesar da lacuna cada vez maior entre os preços do CPO e dos combustíveis fósseis, a Indonésia continuará a implementar seu programa de biocombustíveis, embora a mistura obrigatória de B30 tenha sido adiada devido ao aumento dos custos na cobertura da diferença entre os preços do combustível fóssil e do diesel.

O governo tomou medidas para garantir o programa B30 do país, aumentando a taxa de exportação de óleo de palma, reduzindo as margens para produtores de biocombustíveis e alocando um orçamento para replantio e um programa de pequenos produtores. Prevê-se que a produção e exportação da Indonésia de CPO chegarão a 43,7 milhões de toneladas e 27,5 milhões de toneladas, respectivamente, em 2020, um declínio de cerca de 1,5% e 3% em relação aos anos anteriores.
No entanto, em 2021, a produção e a exportação irão se recuperar para cerca de 48,5 milhões de toneladas e 30 milhões de toneladas, respectivamente.

Aumentos de estoque esperados, junto com preços mais baixos, significa que os preços do CPO devem ficar em torno de US$ 500-550/t. A este respeito, o programa B30 desempenha um papel importante na estabilização do preço do óleo de palma.

Artigo gentilmente cedido por Oils & Fats International Magazine, January 2021, Vol. 37 N°1, baseado em uma apresentação feita por Fadhil Hasan, diretor executivo da Associação de Produtores de Óleo de Palma da Indonésia (GAPKI), no Enmore 17th Global Oleochem Summit em Xiamen, China em 15-17 de julho de 2020

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