25 maio, 2018
por Daniel Geraldes
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Ômega 3 em vísceras de pescado pode ajudar a reduzir o impacto ambiental

Tambaqui e surubim foram as espécies em que pesquisados identificaram a substância

Utilizadas pela indústria de pescado na produção de suplemento para ração animal, produção de biocombustível e até como adubo as vísceras do tambaqui e surubim poderão ser utilizadas para uma finalidade diferente. Isso porque uma pesquisa encontrou a presença de ômega 3 nessa região do animal.

O estudo foi liberado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO), com participação da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS) e Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro/RJ). A presença da substância, que é benéfica para a saúde humana, vem como uma boa notícia para toda a cadeia produtiva do peixe, que é nativo do Brasil.

“É uma matéria-prima nobre que precisa ser melhor aproveitada. O produtor deve ficar atento para não deixar o subproduto estragar com períodos longos de armazenamento, já que esses ácidos graxos encontrados podem gerar produtos de maior valor agregado”, afirma o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Leandro Kanamaru Franco de Lima.

O pesquisador também revela que o estudo aponta uma alternativa para cooperativas e pequenas empresas de processamento de pescado, já que os resíduos sólidos podem ser reaproveitados comoincremento para ração, causando assim menos impacto ambiental. “Devido aos custos de transporte, não é possível levar os resíduos para processamento em grandes empresas, muitas vezes, gerando um problema para o entreposto e uma ameaça ao meio ambiente”, ressalta.

A solução para estes casos é o reaproveitamento, o pesquisador pondera que diversos frigoríficos não aceitam receber as sobras das pequenas cooperativas porque não tem conhecimento da conservação. “É um material muito perecível, e sua qualidade impacta diretamente no valor nutricional final”, explica Lima.

Outras formas de utilização também são salientadas pelo pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Ricardo Borghesi: “Podemos citar como exemplo de uso de resíduos o aproveitamento da pele do peixe como couro; para tratamentos de queimaduras humanas; extração de colágenos; gelatinas; hidroxiapatita (mineral usado para substituição de ossos humanos); farinha de peixe; hidrolisados proteicos; extração de óleo; biocombustível; composto orgânico, entre outros”.

Neste movimento, os pesquisadores acreditam que a tendência é que, no futuro, haja o aproveitamento total do pescado, assim como ocorre com o boi, do qual nada é descartado. Apesar do grande potencial de uso do material residual, Borghesi pontua que algumas vezes esse recurso acaba sendo desperdiçado.

De acordo com o pesquisador o estudo pode direcionar melhor o reaproveitamento dos resíduos e contribuir com o desenvolvimento de tecnologias que garantam produtos de alta qualidade e com maior valor agregado. A pesquisa faz parte de um projeto maior que analisa o gerenciamento hídrico da indústria do pescado, incluindo análise de efluentes líquidos e processamento, com análises microbiológicas e de resíduos sólidos. A Embrapa também disponibilizou aos interessados a pesquisa na íntegra.

Fonte: Embrapa

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