27 dez, 2017
por Daniel Geraldes
47
13737

Os derivados do Óleo de Palma

Quais são? Para que servem? Quais os benefícios?

Por suas propriedades e diversidade de aplicações, o óleo de palma se tornou o principal óleo vegetal em produção e comercialização no mundo. Agora, é a vez de falarmos dos seus subprodutos

 Por: Lia Freire

Considerado o principal óleo vegetal em produção e comercialização no mundo – segundo a Oil Word, representa 29.8% do consumo mundial de óleos vegetais, estando presente em 50% dos produtos comercializados nos supermercados -, o óleo de palma e os seus subprodutos como a gordura de palma, a oleína de palma, o óleo de palmiste e a estearina de palma apresentam características que os tornam excelentes opções não apenas para o ramo alimentício, mas também para outros setores, tais como: cosméticos, higiene e limpeza, fármacos, lubrificantes, biocombustíveis e bioenergia. E qual a razão para que este óleo vegetal seja tão especial e tenha essa diversificada aplicação? A explicação está nas suas propriedades que são mantidas mesmo em altas temperaturas, além disso, apresenta uma textura macia, não possui odores que possam interferir no sabor dos alimentos, contém conservantes naturais, apresenta maior rendimento se comparado aos demais óleos, não gera gorduras trans e não há a presença de organismos geneticamente modificados.

 

Tatiana Bradaschia, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Cargill – companhia que atua no processamento e na comercialização do óleo de palma, do óleo de palmiste, da oleína de palma e da estearina de palma -, explica que alguns óleos se destacam pelo perfil nutricional e outros pelo desempenho no produto final. “A palma, por exemplo, pelo seu perfil sólido, traz cremosidade e textura a aplicações como sorvetes e produtos de panificação. O palmiste, pelo seu rápido derretimento e cristalização, é utilizado em produtos de textura leve como chantilly ou em casquinhas de chocolate de sorvete ou no chocolate propriamente dito. Já a oleína, que é pastosa a temperatura ambiente, pode ser aplicada em spreads de chocolate ou fritura. No caso dos spreads, contribui com a cremosidade, espalhabilidade e mouthfeel do produto. Na fritura, possui boa estabilidade oxidativa a altas temperaturas”, explica.

 

Já o diretor comercial da Agropalma, André Gasparini, lembra que os derivados de óleo de palma são produtos naturais, que não precisam de hidrogenação para ganhar estabilidade, sendo assim não geram gorduras trans. “Por se tratar de um processo mais natural são produtos mais saudáveis”, declara. Recentemente, a empresa inaugurou na cidade de Limeira (SP) a primeira fábrica de fracionamento de palmiste, do Brasil. “Lá implantamos uma série de novas tecnologias que ampliam ainda mais nossas oportunidades de atuarmos no mercado de fracionamento do palmiste”, afirma André.

O diretor comercial da Agropalma informa que a empresa está iniciando um trabalho no segmento de gorduras especiais e desenvolveu produtos como as gorduras vegetais AGP 100 e AGP 200 para coberturas e barras de chocolate; gordura vegetal 420 CK para bolo industrial e pré-mistura para bolo; gordura vegetal RC 440 para recheio de biscoito tipo waffer e recheios de chocolate, além do óleo vegetal AGP 300 para cobertura de sorvete. “Quando realizamos um comparativo de custo-benefício, o óleo de palma não deixa nada a desejar em relação às outras opções de óleos e gorduras. Além disso, eles agregam valor aos negócios dos nossos clientes”, justifica André.

 

Da extração para o consumo

A palma é a única oleaginosa da qual é possível extrair dois tipos diferentes de óleos: da polpa (mesocárpio) se extrai o óleo de palma e da amêndoa se extrai o óleo de palmiste.  Sobre a extração vários processos operacionais podem ser utilizados para obter o produto acabado. No primeiro passo do processamento é produzido o óleo bruto, que é extraído do mesocarpo do fruto. Este, na sua segunda fase pode ser refinado ou fracionado por um processo de cristalização e separação simples, onde são obtidas as frações sólidas (estearina) e as líquidas (oleína).

Seja para a extração, seja para o processamento ou refino, a Agropalma esclarece que utiliza apenas os processos físicos, ou seja, não há uso de solventes e qualquer tipo de produto químico.

A Cargill acredita que a tecnologia de fracionamento, já amplamente utilizada por processadores de palma, tende ser a tecnologia principal para este produto devido a flexibilidade, podendo ser obtida diferentes frações de uma mesma matéria-prima, cada qual com sua propriedade específica. “Além disso, é uma tecnologia “clean label”, ou seja, não apresenta coadjuvantes químicos no processo”, destaca Tatiana. A companhia destaca que tem como compromisso a produção e o abastecimento de palma sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade, a redução de gases de efeito estufa, a melhoria dos meios de subsistência e a segurança alimentar. “Somos certificados em nossas operações brasileiras de óleos e gorduras para a compra, processamento e comercialização de óleo de palma sustentável, sob os critérios internacionais estabelecidos pelo RSPO – Roundtable on Sustainable Palm Oil”, afirma a gerente, Tatiana.

Para Mark Goldenberg, Merchant da Cargill, a indústria de óleo de palma está passando por uma grande transformação com as partes interessadas, tanto públicas quanto privadas, se esforçando cada vez mais para tornar a sustentabilidade um pilar desta indústria. “Aqui na Cargill, a construção de cadeias de suprimentos responsáveis é um compromisso global. Endossamos o RSPO como o padrão primário global de sustentabilidade para produtos de óleo de palma, suportando nossos esforços para desenvolver mecanismos que diferenciem esses produtos como sustentáveis. É fundamental que todas as partes da cadeia de fornecimento de óleo de palma – das plantações aos varejistas – colaborem e atuem de forma ambientalmente sustentável e socialmente responsável”, alerta Mark.

 

Os desafios

O mercado brasileiro de óleo de palma faturou em 2015, R$ 1.252.563.442, segundo informações da Abrapalma – Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma. O país produz hoje uma boa parte do óleo de palma que consome, mas ainda é necessário importar para atender a demanda em sua totalidade. Ou seja, há muito potencial a ser explorado, mas como bem lembra a associação, há alguns entraves para que isso ocorra. Na questão das expansões no cultivo, em que há vários projetos paralisados, isso se deve a questões como: processo de licenciamento ambiental moroso e alto risco jurídico; existem também as dificuldades com o custo de produção, elevados custos trabalhistas para o produtor; infraestrutura logística insuficiente e quando existente bem ruim, mão de obra desqualificada / pouco produtiva e alto custo do frete.

A gerente da Cargill, Tatiana, observa que o óleo de palma e seus derivados têm custos operacionais, na maioria das vezes, mais altos do que outros tipos de óleos, isto se deve em virtude das suas características físico-químicas. Ao ser processado, o óleo de palma irá exigir mais consumo de alguns químicos, bem como, maior uso de determinadas utilidades nos equipamentos, tais como, vapor e energia elétrica. “Como característica do processo de extração do óleo de palma, há um favorecimento no aumento da acidez e também a cor avermelhada do óleo é devido à elevada composição do betacaroteno. Estas duas características irão interferir nos custos operacionais deste tipo de óleo, elevando as perdas durante o processamento e exigindo um maior consumo para assegurar a qualidade e o aspecto na aplicação do produto final”, contabiliza.

É certo que o Brasil está longe de ser considerado um grande produtor do óleo de palma, mas mercado existe e potencial também. De acordo com os últimos dados da Abraplama, por aqui se produz algo em torno de 300 mil toneladas de óleo de palma, a maior parte provém do território paraense. E como já dito anteriormente, a produção nacional não consegue suprir a demanda interna que hoje é de, aproximadamente, 500 mil toneladas por ano.

Além disso, a palma é a oleaginosa mais produtiva em se tratando de valor econômico. Sua produtividade média de 4 toneladas de óleo por hectare/ano é dez vezes mais que o óleo de soja, por exemplo. Outra boa razão para investir neste cultivo é que no Brasil a palma só pode ser plantada em áreas degradadas, o que ajudaria a melhorar o balanço de emissões de gases do efeito estufa. Desafios à parte, o que observamos é que há um longo e promissor caminho a ser trilhado no cultivo desta espécie de palmeira, que encontrou no Brasil as condições perfeitas para se desenvolver.

 

Quem é quem

Gordura de Palma

Extraída da polpa do fruto da palmeira oleaginosa, a gordura de palma é muito utilizada pela indústria de alimentos, em frituras, massas de biscoito e sorvetes.

Oleína de Palma

Fruto do óleo de palma refinado, a oleína  é utilizada como óleo de fritura e também nas indústrias óleos-química e de cosméticos.

Óleo de Palmiste

Extraído da amêndoa que nasce no fruto da palmeira oleaginosa, por suas características é um importante aliado na produção de sabonetes e cosméticos, além de alimentos e em produtos da indústria óleoquímica.

Estearina de Palma

A fração sólida obtida na segunda fase de refinamento e/ou fracionamento do óleo bruto, serve para ajustar o PH dos sabões e sabonetes quando estes são muito alcalinos, acelera o processo de saponificação e possui ainda propriedades emolientes e protetoras

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA ÓLEOS & GORDURAS – EDIÇÃO SET/OUT 2017.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »