3 jan, 2018
por Daniel Geraldes
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Palatabilizantes: Os atuais desafios

A relação cada vez mais humanizada entre tutores e os animais de estimação impulsionou a  indústria de palatabilizantes e trouxe novos desafios. Hoje em dia, não basta melhorar a qualidade de vida dos pets é preciso também satisfazer os seus tutores.

 Por: Lia Freire

Desde que os pets deixaram o quintal para viver dentro de casa e passaram a ser considerados membros da família, e não apenas um pet que estava ali para ‘cuidar’ da residência e entreter a família nos momentos de ócio, muita coisa mudou. Os “pais” exigem alimentos balanceados e específicos para diferentes raças e portes. Antigamente as rações tinham apenas o papel e a função de nutrir. O fato do alimento apenas ser aceito pelo animal já era o suficiente. Atualmente, as rações não devem apenas ser aceitas pelo animal e sim preferidas em relação a outras.

Para o Cientista Senior de Pesquisa e Desenvolvimento da Kemin, Marcelino Bortolo, a busca do tutor por produtos cada vez mais parecidos com a alimentação humana, tanto em sabor quanto em naturalidade, tem crescido dia após dia. “Esta nova realidade gera desafios para todo o setor pet. A Kemin, por exemplo, tem investido recursos financeiros e humanos na implantação de tecnologias em pesquisa e infraestrutura tanto aqui no Brasil, quanto na Europa e Estados Unidos”, observa.

 

Há três anos a empresa Diana Pet Food adotou para o seu negócio o conceito de trinômio, incorporando no foco da sua atuação os tutores. Hoje, a empresa trabalha focada em três grupos de interesse: clientes, pets e os donos dos animais de estimação. “Nosso negócio está 100% orientado por este processo. Estamos constantemente desenvolvendo novos serviços que respondam a este fenômeno, como por exemplo, a criação do Yummypets, um canal na rede social que permitiu estar em contato direto com quase um milhão de tutores de pets e, assim, identificar as preocupações e necessidades dos consumidores finais para entender melhor a maneira que interpretam as necessidades de seus cães e gatos”, explica Diego Maurizio, Diretor Regional LATAM da Diana Pet Food.

Na análise da Gerente de Contas Brasil da AFB International, Karine de Melo Santos, com a humanização dos animais de estimação, os tutores repassam desde hábitos de higiene, comportamentais a alimentares.  “Para o ser humano, a alimentação está vinculada a momentos de celebração e alegria, por isso, para estes tutores não há nada mais gratificante do que ver a empolgação de seus pets na hora da refeição. É como se estivesse fornecendo felicidade numa embalagem. Quando fazemos esse paralelo com os palatabilizantes, podemos avaliar o quão crucial é sua atuação nessa primeira impressão da ração e no estabelecimento do vínculo de alegria entre alimento, animal e tutor. Não adianta fornecer um alimento altamente nutritivo, porém nada atrativo para o animal e, principalmente, aos olhos do tutor”, comenta Karine.

Muito além da palatabilidade

É sabido que a composição da palatabilidade não é de responsabilidade exclusiva dos palatabilizantes. Seguindo este raciocínio, a Kemin vem introduzindo suas tecnologias e estratégias. “Nós vemos o alimento como um todo, desde a matéria-prima (interior do kibble) até o recobrimento (óleo e palatabilizantes na parte exterior do kibble). Para garantir a palatabilidade é preciso monitorar todo o processo de produção dos alimentos. Em função da alta inclusão de ingredientes de origem animal em uma ração, estas matérias-primas tornam-se extremamente críticas. Diante disto, é fundamental o acompanhamento nos produtores de farinhas e gorduras de origem animal. Como somos fornecedores de antioxidantes para o mercado de rendering, estamos totalmente inseridos neste negócio, em que é possível acompanhar e monitorar toda a cadeia de supply chain. Somente a Kemin tem essa capilaridade, conferindo a nós uma vantagem imbatível para os nossos clientes”, declara o cientista, Marcelino.

 

Quem também atua com um enfoque integral é a Diana Pet Food sugerindo que haja uma combinação de diferentes fatores técnicos e industriais, de ingredientes e do próprio palatabilizante – para obter uma performance positiva em relação à palatabilidade. “Tudo começa com as boas práticas de fabricação, assim como os equipamentos e as instalações industriais corretas são pontos chave do processo. É importante a adequação entre o que os produtores querem fabricar e o que realmente podem produzir por meio dos maquinários. Moagem, extrusão, secagem, umidade, gordura, forma de revestimento, tudo influencia. Em relação aos ingredientes, a base do extrusado deve ser considerada em sua totalidade, ou seja, da composição à umidade. E, por último, é imprescindível um palatabilizante com boa performance”, pontua o Diretor Comercial, Diego.

A Gerente da AFB, Karine, traz um exemplo de como as associações de aspectos químicos e físicos podem interferir na palatabilidade do alimento. “Se durante um processo de cobertura da ração for utilizado um óleo que esteja com alto índice de peróxidos, que é indicativo da formação de certos compostos responsáveis por características de sabor e odor rançosos, a aplicação de um palatabilizante de alta performance será prejudicada devido ao uso desse ingrediente”.
 

A palatabilidade e a nutrição balanceada

A alta palatabilidade não fornece, necessariamente, a nutrição adequada e balanceada, razão pela qual a indústria de palatabilizantes busca meios para chegar às soluções que oferecem saúde e bem-estar aos pets.

Ao se posicionar como co-responsável por uma nutrição equilibrada, a Kemin disponibiliza aos seus clientes suporte técnico, que inclui avaliar formulações, conciliando com os requisitos de exigências e requerimentos dos animais em suas mais diversas fases fisiológicas.“Nosso corpo técnico está sempre em sintonia com os fabricantes de pet food, ajudando-os na busca pelo alimento perfeito. A Kemin também tem se especializado em apresentar soluções a problemas metabólicos, visando a longevidade e o bem-estar dos animais. É importante lembrar que “superpalatabilizantes” podem gerar consequências drásticas na saúde dos pets, principalmente em relação ao sobrepeso”, alerta a Gerente de Serviços Técnicos da Kemin, Mariane Bortolo.

A Diana Pet Food declara que os constantes investimentos em pesquisa e desenvolvimento levaram-na ao desenvolvimento da marca Vivae, que proporciona soluções de nutrição inovadoras e naturais, melhorando visivelmente a saúde e bem-estar dos pets e sem afetar a palatabilidade. “Realmente, a alta palatibilidade não garante a nutrição adequada uma vez que a porcentagem aplicada ao extrusado pronto é muito baixa, razão pela qual não paramos de investir em inovações e no aprimoramento das soluções em palatabilizantes”, declara o executivo Diego.
“A nutrição adequada é determinada pela formulação de uma dieta que supra as necessidades nutricionais, utilizando o processo de produção adequado, ingredientes de boa qualidade e alta disponibilidade para absorção pelo animal”, afirma a Gerente da AFB, Karine, lembrando que em algumas situações, mesmo que o alimento se encaixe em todos os parâmetros adequados, a sua palatabilidade pode não ser suficiente para que o animal ingira a quantidade necessária. Como por exemplo, alimentos light que possuem altos valores de fibra em sua composição. “Essa característica apesar de adequada para seu propósito, pode reduzir a palatabilidade. Nessas situações, os palatabilizantes intensificam a atratividade desse alimento para que o animal consiga usufruir dos benefícios disponibilizados pela dieta. Além da função sensorial, os palatabilizantes também podem atuar como palatabilizantes funcionais quando enriquecidos com aditivos probióticos ricos em EPA e DHA, entre outras opções.”

 

A complexidade dos negócios

Todos que atuam no mercado de palatabilizantes afirmam que se trata de uma atividade complexa, pois lidam com aspectos bastante subjetivos (medir o quanto um cão e/ou um gato gosta mais ou menos de um determinado alimento em relação ao outro); além disso, o palatabilizante é um ingrediente crítico na apresentação do extrusado como produto final e são inúmeras as interações químicas, físicas e biológicas, que ao final irão para a boca dos animais e podem resultar em infinitas respostas. “Os compostos formados em uma reação enzimática e o processo de obtenção de flavors e substâncias que geram atratividade é, naturalmente, algo desafiador. A Kemin investe em equipamentos de alta tecnologia para medir e monitorar todos os compostos em seus palatabilizantes (líquidos e pó). Também mensuramos a resposta dos animais, através de canis certificados em todo o mundo. Podemos dizer que o desenvolvimento de um palatabilizante é, além de uma ciência, uma arte!”, afirma a Gerente de Serviços Técnicos, Mariane.

Segundo a executiva da AFB, Karine, não se trata apenas do fato do animal comer ou não aquela ração, o mais importante é avaliar a razão dessa diferença, baseada na peculiaridade de cada espécie. “É fundamental que haja um trabalho em conjunto com o cliente, pois existem diversas variáveis envolvidas na performance do palatabilizante, que vão desde a harmonização dos aromas na sua elaboração, às matérias-primas utilizadas no alimento ou mesmo o processo de aplicação do cliente.”

O diretor da Diana Pet Food ressalta que os padrões de qualidade nos processos devem ser altos para assegurar um produto adequado. “Por essa razão, a Diana Pet Food realiza grandes investimentos em desenvolvimento, elaboração, controle de qualidade e monitoramento da palatabilidade, assegurando que esta exigência e profissionalismo seja transversal à nossa cadeia de valor. É importante destacar que atualmente contamos com mais animais do que empregados, que nos permitem realizar mais de 8000 testes por  ano.”

 

As atuais demandas

Dentre os principais desejos dos fabricantes de pet food estão: a garantia de que as suas rações e alimentos sejam balanceados e consumidos por avidez pelos animais. Além disto, tornou-se imprescindível que os alimentos atendam a todos os requerimentos de um programa de alimentação, de acordo com a espécie animal e sua fase fisiológica. “Os palatabilizantes são aditivos tecnológicos que atuam como protagonistas para atingir tais necessidades. Aqui na Kemin não cessamos as pesquisas e investimentos em inovações. Temos trabalhado ultimamente com palatabilizantes vegetarianos e palatabilizantes naturais”, exemplifica o cientista Marcelino.

Segundo o diretor da Diana Pet Food, Diego, em relação aos palatabilizantes, os fabricantes de pet food buscam além das melhores performances, opções para diferentes setores econômicos. “Verificamos e compreendemos as atuais exigências, investindo constantemente para atendê-las. Em nossas marcas experts fornecemos soluções que vão além do realçar o sabor, visando o bem-estar e a saúde dos animais. Além disso, nossos clientes desejam incorporar a seus produtos, ingredientes e matérias-primas sustentáveis, por isto, nosso desafio é oferecer essas soluções e serviços como uma empresa sustentável e focada no compromisso com o meio ambiente.”

A palatabilidade para cães e gatos

A percepção e as preferências dos sabores são diferentes entre as espécies. De acordo com as explicações da executiva da AFB, Karine, gatos apreciam menos o sabor azedo, quando comparado com os cães. Enquanto estes possuem um intervalo mais amplo de preferências de sabores quando comparados aos gatos. “Gatos preferem o sabor do sebo bovino à gordura de frango. O excesso de óleo de peixe pode reduzir a palatabilidade para gatos. Além disso, ambas as espécies não apreciam os sabores amargos. Entre os nutrientes mais palatáveis para cães e gatos, temos as gorduras e proteínas. As proteínas quando pré-disponíveis na forma de aminoácidos tornam o alimento ainda mais palatável para cães e gatos, pois são facilmente reconhecidas pelos neuroreceptores.” A empresa AFB destaca a alta performance da sua linha de palatabilizantes para cães e gatos, levando em consideração as particularidades das espécies. “Utilizamos ingredientes protéicos de alto valor biológico, os quais sofrem processo de hidrólise tornando os aminoácidos livres, resultando em alta palatabilidade. Além de outros ingredientes e reações que intensificam o sabor.”

O diretor da Diana Pet Food, Diego, acrescenta ainda outras particularidades entre cães e gatos. “O cão, onívoro, se alimenta uma ou duas vezes ao dia em uma taxa de maior volume. Possui olfato desenvolvido e potente, que exerce um papel de grande importância na busca e seleção do alimento. Prefere os extrusados lisos, de fácil mastigação e mais úmidos. Sua escolha do alimento é imediata. Em contrapartida, o gato é estritamente carnívoro e muito seletivo para “aprovar” um alimento, alimentando-se várias vezes ao dia em pequenas quantidades, sendo muito sensível à textura, preferindo os kibbles mais secos e crocantes.” A empresa oferece uma gama muito ampla de produtos para atender a diferentes expectativas de performance. São produtos 100% a base vegetal, há também versões GrainFree, elaborados com ingredientes naturais; e produtos de alta performance, com destaque para o

C’Sens 13L e D’Tech 14L, que brevemente estarão disponíveis no mercado latino-americano.

Além das diferenças já citadas, o cientista da Kemin, Marcelino, lembra que outro aspecto que deve ser considerado está relacionado à forma que ocorre o aprisionamento dos alimentos pelos animais. “Os cães normalmente fazem por meio de bocadas e visitam o pote com alimento menos vezes. Já os gatos são seletivos e visitam o pote com alimento várias vezes ao dia, em refeições lentas. Isto define tecnicamente alguns aspectos que os palatabilizantes devem atender”, analisa, destacando que dentre as várias opções de palatabilizantes presentes em seu potfólio destacam-se o Palasurance SP4 para cães e o Palasurance 50.02 para gatos, que vêm demonstrando excelentes resultados, ótima performance e relação custo-benefício.

 

A decisão final está com eles

Os cães e gatos escolhem seu sabor preferido através do consumo do alimento. O teste padrão de consumo é uma comparação por pares, também conhecido como teste de “two bowls”. Neste tipo de teste, o animal pode escolher entre duas tigelas os alimentos por um período pré-definido de tempo. O animal é observado e algumas medidas são registradas. Medidas comuns incluem taxa e índice de consumo, primeira escolha e abordagem, além da preferência. No teste monádico, por exemplo, é mensurado a ingestão, o entusiasmo e se o volume de alimento consumido atende a necessidade nutricional do animal. Também é avaliada a preferência dos animais entre petiscos e testes de aceitação para os petiscos e alimentos. Diferentes marcas e fabricantes confiam em medidas distintas para análise do consumo, dependendo do resultado desejado. Algumas marcas dão importância ao fato do animal correr para a tigela. Outros se importam com a tigela sendo esvaziada completamente. “É sempre importante definir claramente o resultado preferido, para que o palatabilizante apropriado seja selecionado”, declara a Gerente da AFB, Karine.

A Diana Pet Food possui o seu centro de mensuração de palatabilidade, Panelis, composto por cientistas das mais diversas áreas relacionadas aos animais, além de contar com estatísticos. “Essa sinergia entre as áreas nos permite avaliar o comportamento e medir a significância e intensidade do mesmo”, diz o diretor, Diego.

Para avaliar o comportamento são utilizados métodos de filmagem e observação de cada animal. Estes dados normalmente são coletados antes, durante e após as refeições. “Cada animal é assistido e, então, avaliamos os comportamentos expressados e medimos a frequência que eles ocorrem. Com isso conseguimos medir a significância dos mesmos. Alguns grupos são avaliados 24h para obter mais detalhes sobre a interação e sinergia do grupo. Nosso centro de mensuração utiliza vários protocolos e metodologias que se adequam as necessidades de cada cliente ou etapa de desenvolvimento de um novo produto. Além de metodologias capazes de identificar as menores diferenças entre vários kibbles, o Panelis, desenvolve suas metodologias em total consonância com as expectativas dos proprietários. Identificar fatores perceptíveis ao entendimento dos proprietários sobre como seus animais demonstram satisfação ao se alimentar é imprescindível. Para isso, pesquisas de mercado e sobre o comportamento do consumidor fazem parte do delineamento de nossos protocolos de mensuração, garantindo condições muito próximas ao ambiente doméstico e resultados finais que mensuram como nós, humanos, compreendemos a satisfação de nossos cães e gatos”, conclui Diego.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA REVISTA PET FOOD – EDIÇÃO OUT/NOV 2017.

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