18 out, 2017
por Daniel Geraldes
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Plasma Spray Dried – modo de ação e aplicações em Pet Food

Plasma Spray Dried – modo de ação e aplicações em pet food

L.F.S. Rangel- MSc 1; G.V. Barancelli- PhD2; J. Polo-PhD3

1 APC Inc. – Brasil; 2 ESALQ – USP; Brasil; 3APC EUROPE, S.A.; Espanha

O plasma atomizado ou spray-dried (SDP do inglês spray-dried plasma) é um ingrediente único em rações animais por sua alta qualidade protéica e funcional. Sua utilização é frequente na suinocultura, especialmente na ração de leitões desmamados, promovendo melhor consumo, crescimento e produtividade. Em dietas de animais de estimação o plasma pode ser utilizado em condições normais de criação, em situações de exposição a algum tipo de desafio ou mesmo em animais jovens e seniors sua utilização deve ser considerada.

Há muito tempo, o plasma spray dried tem sido usado como ingrediente gelificante em alimentos humanos e rações pet em lata ou puches para conferir melhor textura, para melhorar a capacidade de retenção de água e a emulsificação e para ressaltar as propriedades de palatabilidade (Polo et al., 2004c).

Ultimamente, o plasma também tem sido empregado em rações pet secas para aumentar a palatabilidade, melhorar a digestibilidade e reduzir a excreção de matéria seca fecal (Quigley et al., 2004; Hammer e Quigley, 2003; Hammer et al., 2004) e para modular a resposta imune em cães idosos depois de desafio vacinal (Grieshop et al., 2003). Esse artigo visa discutir as propriedades funcionais e a atividade biológica das proteínas plasmáticas, assim como o seu potencial de uso em ração pet seca.

Tipicamente, o plasma animal spray-dried usado em rações pet contém 78% de proteína, 10% de matéria mineral e apresenta menos de 9% de umidade. O plasma spray-dried é 88% solúvel e, quando aquecido, obtém-se um gel estável, irreversível, devido à desnaturação de proteínas, mantendo assim boa textura, melhorando a capacidade de retenção de água e emulsificação, bem como a palatabilidade, especialmente para gatos (Polo et al., 2004c). Devido a essas propriedades físicas, o plasma spray-dried tem sido amplamente usado em alimentos humanos e rações pet em lata há mais de 20 anos.

O SDP tem sido aplicado pós-processamento em rações pet secas com o objetivo de manter a atividade biológica do mesmo. Algumas das aplicações podem ser para rações de dia a dia secas, rações para filhotes, animais idosos, animais com alta atividade, suplementos de recuperação pós-cirúrgica ou pós-vacinação e mesmo em situações em que o sistema imune possa estar comprometido ou excessivamente estimulado.

Embora exista um número considerável de dados científicos relacionados aos benefícios da administração oral de IgG sobre a saúde intestinal em humanos e animais, seu uso em animais de estimação tem sido questionado devido à falta de informações relacionadas à resistência dessas proteínas à digestão, sem que sejam destruídas, em animais adultos. Com base nisso, Polo et al. (2004a) alimentaram cães Beagle adultos com dietas contendo 1% de plasma suíno ou concentrado de IgG suíno aplicados pós-extrusão.

A resistência do IgG suíno através to trato gastrointestinal foi 8,4% (entre 4,3 e 11,6%) e 6,0% (entre 4,4 e 15,5%) para cães alimentados com plasma suíno e concentrado de IgG suíno, respectivamente. Métodos de imunodifusão em ágar (Polo et al., 2004d) foram modificados e empregados para a identificação e a quantificação da IgG suína nas dietas e nas fezes. Foi relatada a recuperação de IgG, administrada por via oral, nas fezes de humanos (Blum et al., 1981; Hilpert et al., 1987; Roos et al., 1995). Estes resultados sugerem que a IgG ingerida oralmente pode fornecer imunidade passiva no intestino, para sustentar a resposta imune durante períodos de estresse ou de desafio de doença.

Publicações relatam que o SDP melhora a digestibilidade de dietas de cães e reduz a massa fecal. Três estudos (Quigley et al., 2004) compararam a digestibilidade aparente de dietas para cães Beagle adultos contendo SDAP. No primeiro, o plasma foi aplicado com gordura e flavorizante na parte externa de um “kibble” não revestido e preparado comercialmente. A digestibilidade da matéria seca, da matéria mineral, da fibra bruta e da gordura aumentou com o SDP.

A excreção fecal (fresca e matéria seca) diminuiu com o SDP. No segundo estudo, o SDP foi aplicado na parte externa de “kibbles” super-premium comerciais sem adição de gordura ou de flavorizantes. Neste caso, a digestibilidade da matéria seca, da matéria orgânica, da matéria mineral, da fibra bruta e da energia bruta aumentou e a digestibilidade da proteína bruta tendeu a aumentar com o plasma na dieta. A produção de fezes (fresca e matéria seca) diminuiu com o SDP. O terceiro estudo de digestibilidade comparou dietas adicionadas com 0, 1, 2 e 3% de SDP misturado a outros ingredientes e extrusadas.

A digestibilidade da matéria seca, a matéria orgânica, da matéria mineral, da proteína bruta, da energia bruta e da fibra dietética total melhorou linearmente com o aumento do emprego do plasma dietético. A digestibilidade da fibra bruta e a digestibilidade da gordura não foram afetadas pelo tratamento dietético. A produção fecal (fresca e matéria seca) diminuiu com o SDP, mas não houve maior redução com níveis acima de 1% de SDAP na dieta. Resultados semelhantes de melhora na digestibilidade de dietas de cães devido ao SDAP foram observadas por Hammer et al. (2004). “kibbles” secos foram preparados com 1% de SDAP adicionado pré e pós-extrusão.

A digestibilidade da matéria seca, da proteína bruta, da matéria mineral e da energia bruta melhorou em ambas as dietas contendo plasma, porém a digestibilidade da fibra dietética total diminuiu. Independente da redução da digestibilidade da fibra, a excreção fecal (fresca e matéria seca) foi menor em cães alimentados com qualquer das dietas contendo SDP. As alterações na produção de fezes foram consistentes com a melhor digestibilidade da matéria seca em todos os estudos. A produção de matéria seca fecal diminuiu em média 15% em cães alimentados com plasma, independente do método de aplicação (pré ou pós-extrusão).

A produção de fezes é uma variável significativa na seleção de ingredientes para rações pet, e ingredientes que melhoram a digestão geralmente são favorecidos em relação aos ingredientes que contribuem para uma maior produção de fezes.

As alterações na digestibilidade de ração pet seca geralmente são previsíveis quando se alteram os ingredientes na formulação. Nos estudos de digestibilidade relatados aqui, as alterações na digestibilidade foram geralmente maximizadas com 1-2% de SDP. Não se esperaria que estas taxas relativamente baixas de inclusão de SDP tivessem efeitos significativos sobre a digestibilidade, especialmente da fibra, já que o plasma contém pouca fibra dietética. Populações microbianas comensais no intestino têm um papel determinante no desenvolvimento do sistema imune e fornecem resistência a patógenos. Os efeitos do SDP sobre as populações bacterianas intestinais foram estudados em cães canulados (Hammer e Quigley, 2003). Os cães foram alimentados com dietas contendo 0; 0,5; 1 ou 2% de SDAP. Os cães que consumiram plasma tiveram menores concentrações de bactérias aeróbicas e anaeróbicas, de lactobacilos e de Clostridium perfringens no íleo, enquanto as concentrações de bifidobactérias permaneceram inalteradas. As populações de bactérias fecais não foram afetadas pelo SDP, mas Grieshop et al. (2003) relataram que o SDP dietético tendeu a reduzir a concentração de aeróbios fecais totais em cães idosos. Estes resultados sugerem que o plasma influencia a função intestinal e, assim, pode afetar a digestão. A melhora na digestibilidade é consistente com a alteração da função digestiva, mas estes dados não identificam claramente os efeitos do SDP sobre a digestibilidade dos nutrientes.

O impacto das proteínas plasmáticas sobre a função imune foi documentado em suínos e bezerros. Dois estudos relataram os efeitos do SDP sobre a função imune em cães. Sabe-se que a capacidade da resposta imune em cães declina à medida que os animais envelhecem (Greeley et al., 1996). Grieshop et al. (2003) observaram que, quando foi fornecido SDP aplicado pós-extrusão a cães idosos (7 a 12 anos de idade) que receberam vacina injetável contra a parvovirose, a concentração de leucócitos no sangue periférico aumentou nos dias 0, 2, 6, 8 e 21 após a vacinação. Em geral, as alterações nas concentrações de leucócitos aumentaram linearmente com o aumento de SDP até 2%. As concentrações de neutrófilos e linfócitos também foram afetadas, mas em menor grau. Resultados semelhantes foram relatados por Hammer e Quigley (2003), que alimentaram cães adultos (2 a 7 anos de idade) com 0, 1 ou 2% de SDP. As concentrações de leucócitos aumentaram em cães alimentados com 1% de SDP após vacinação que incluía antígenos de cinomose, adenovirose, coronavirose, parainfluenza, parvovirose e leptospirose. Esses resultados sugerem que o plasma na dieta pode melhorar a resposta imune de cães após a vacinação.

As proteínas funcionais contidas no plasma animal spray-dried sustentam a saúde intestinal e reduzem a gravidade de doenças em pesquisas em humanos e animais. A produção fecal é reduzida em cães alimentados com dietas contendo plasma animal spray-dried aplicado pré ou pós-extrusão devido à melhora na digestibilidade dos nutrientes. O plasma animal spray-dried oferece uma oportunidade para os fabricantes de ração pet desenvolverem produtos de qualidade superior, com melhor digestibilidade e que beneficiam a saúde animal por sustentarem o sistema imune e manterem uma boa função digestiva.

Conclusão

          O Plasma Spray Dried é tradicionalmente indicado para dietas úmidas de pets, pelo seu poder aglutinante. Além disso, tem propriedades funcionais que podem modular os processos inflamatórios que os animais venham a ser submetidos de forma a preservar a saúde dos animais. O ingrediente pode ser utilizado em condições normais de criação, em situações em que existam algum tipo de desafio ou em animais jovens e seniors.

Referências:

Podem ser obtidas com o autor pelo e-mail: luis.rangel@functionalproteins.com.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA REVISTA PET FOOD – ED. MAR/ABR 2017

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