25 jan, 2018
por Daniel Geraldes
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Produção brasileira de leite deve crescer 2,5% em 2018

Cenário é de custo mais elevado do que o registrado no ano passado.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, Brasília/DF) estima que a produção brasileira de leite deverá crescer entre 2% e 2,5% neste ano, em um cenário de custo de produção mais elevado em relação a 2017.

Se a estimativa da entidade para o período se concretizar (os dados serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em março), a produção brasileira de leite em 2018 deverá chegar a 35,8 bilhões de litros, voltando aos patamares de 2014.

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Thiago Rodrigues, o aumento da captação de leite está amparado na expectativa de um incremento do consumo esperado para este ano com a melhora da economia.

Para ele, tanto indústria quanto produtores estão animados com a projeção de crescimento do PIB para 2018. “Esse aumento da demanda deve garantir um cenário um pouco melhor de preços ao produtor neste ano”, afirma o dirigente.

Essa perspectiva de recuperação de preços ocorre após um ano de margens apertadas para o produtor de leite. Ainda que o custo de produção tenha recuado 4% no ano passado, devido à oferta farta de soja e milho (principais insumos para a alimentação dos animais), o preço pago ao produtor recuou 8,7% no ano passado, para um valor médio de R$ 1,1769/litro em 2017, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, Esalq/USP, Piracicaba/SP).

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, este ano será um período de margens ajustadas tanto para a indústria quanto ao produtor, após um ano trabalhando no prejuízo: “Isso será importante para recuperar as margens da indústria e, em um segundo momento, permitirá repasses ao produtor”.

A melhora dos preços deve ganhar fôlego em março, quando a safra termina no Sudeste e no Centro-Oeste, com o enfraquecimento das pastagens causado pelo término do período de chuvas, reduzindo a oferta de leite, ao passo que a demanda tende a aumentar com o fim das férias escolares.

Desafios
Embora aposte em um cenário otimista para este ano, Rodrigues destaca que o produtor terá questões preocupantes para lidar neste ano. A começar pela perspectiva de um aumento dos custos de produção, que deve ocorrer devido à queda da oferta de grãos, especialmente do milho, projetadas para este ano.

Outro fator que exigirá atenção é o mercado externo. “Os estoques elevados em dois grandes players, Estados Unidos e União Europeia, podem reduzir os preços internacionais e tornar a importação do produto mais atrativa para as indústrias que operam no Brasil”, salienta Rodrigues. “Hoje os nossos preços estão em linha com o mercado externo, mas não está descartada a hipótese de que as importações se tornem mais atrativas”, diz.

Fonte: DCI

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