17 set, 2018
por Daniel Geraldes
54
2008

Produção de Etanol de Milho no Brasil

Produção de Etanol de Milho no Brasil: cinco fatores que devem impulsionar – e muito – o seu crescimento.

Professor de Gestão de Agronegócios,
Por Saulo Joli

O ano é 2016. Tudo corria relativamente bem no mercado de combustíveis no Brasil. O governo controlava os preços, a Petrobras repassava aos distribuidores que ditavam aos consumidores, e o fisco taxava. A empresa assumia as margens negativas em seus combustíveis frente a uma política de contenção da inflação, sustentada pelo governo Dilma.

A mudança do status quo começou a dar os primeiros sinais quando a Petrobras não correspondeu à expectativa de investidores, o que culminou, entre outras coisas, por revelar sua política pouco sustentável, do ponto de vista empresarial, de margens de preço.

Por aí, viria uma sequência de eventos que diria respeito não somente aos investidores da empresa, como também a toda uma cadeia que outrora apresentava margens muito negativas, por culpa dessa mesma política.

Produzir etanol no Brasil, até meados do ano de 2015, era mico. As margens entregues ao produto, que já eram naturalmente reduzidas, se viam ainda piores quando a cena política as enterrava em benefício de uma política nacional de controle de inflação: o preço da gasolina era maquiado, e o etanol – que naturalmente já valia menos – passava a ter um preço ainda menor.

O salvador da pátria, naqueles tempos, foi a cana-de-açúcar. Apesar de pouco eficiente, o insumo era barato e de muita abundância, principalmente no centro-oeste do país. Não fosse por isso, talvez até hoje não tivéssemos plantas industriais para produção de etanol no país.

Com a mudança de política de preços, projetos até então engavetados de plantas de etanol de milho começaram a emergir, e as chamadas usinas flex começam a dar passos importantes na produção de etanol a partir do milho no estado do Mato Grosso do Sul.

Atualmente, estão em funcionamento cerca de seis usinas que produzem, juntas, cerca de 827 milhões de litros de etanol por ano. A previsão é que até 2030, sejam produzidas pelo menos 50 bilhões de litros no total – considerando etanol de cana-de-açúcar e milho, e que a produção a partir do milho aumente ainda mais.

Assim, há, pelo menos, cinco aspectos que explicam porquê a produção de etanol a partir do milho deve ter um crescimento exponencial nos próximos anos:

O milho produz mais etanol

Comparado ao etanol de milho, que carrega no seu processo uma fermentação com duas enzimas, o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar chega a ser 10 a 15% mais barato.

O custo de se produzir etanol de milho, no entanto, é compensado pela sua produtividade. Em comparação à sua concorrente, que produz com uma tonelada, cerca de 90 litros, o milho é capaz de produzir 407 litros, cerca de quatro vezes mais.

O milho produz o DDG

Em paralelo à produção de etanol, tem-se a produção de seus subprodutos, oriundos do processo. O DDG, sigla em inglês para grãos secos por destilação, é um concorrente ao farelo de soja, com baixo custo, e que pode ser usado pela indústria bovina e suína. É possível, ainda, o uso pela indústria avícola, com algumas adaptações.

Nos Estados Unidos, o consumo do DDG já é estabelecido, e hoje tem a mesma importância do seu principal produto, o etanol. Isso porque a falta de estoques de soja para produção de rações tem elevado a demanda pelo produto, que hoje já compõe 25% da ração de suínos e 20% da ração de bovinos.

Programa Renovabio

A demanda por etanol deve crescer, e muito, em função de um programa lançado pelo governo federal no final do ano passado. O Renovabio tem, em sua sistemática, um processo de “descarbonização”, em que empresas do setor de biocombustíveis geram créditos – os chamados CBIO’s.

Estes créditos deverão, obrigatoriamente, ser recomprados em forma de papéis por distribuidoras, em quantidade correspondente à sua participação no mercado. Isso trará um novo ativo financeiro para os produtores de biocombustíveis, o que deve acelerar, ainda mais, seu crescimento.

Há milho no Brasil – e muito!

Ao mesmo tempo em que especialistas do setor explicam que não há canaviais disponíveis no Brasil para um possível aumento de produção (um canavial leva cerca de quatro anos para estar pronto); há muito milho. A nossa produção, no ciclo 2017/18 está prevista em 97 milhões de toneladas, sendo que 27 milhões devem ser exportadas.

Além disso, há um benefício adicional em relação ao milho, que é a possibilidade de estocagem: ao contrário da cana, que deve ser imediatamente processada (cerca de 24 horas após a sua chegada à usina), o milho pode ser estocado durante vários períodos, e ser processado meses depois do seu recebimento.

Há demanda por etanol – e ela é grande!

O Brasil importou, somente no primeiro semestre do ano passado, cerca de 1,74 bilhões de litros de etanol, batendo o recorde de maior importação da história pelo país. Ao mesmo tempo, produziu cerca de 11,6 mil metros cúbicos de etanol anidro e 16,9 de etanol hidratado. Nos próximos anos, a intenção das cadeias produtivas é que o produto, hoje importado, seja substituído pelo etanol produzido em casa.

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