18 out, 2017
por Daniel Geraldes
43
2346

Quando o assunto são os digestores e prensas….eles são referência

 

Imprescindíveis no processamento dos resíduos animais – juntos eles determinam 90% da rentabilidade dos negócios –, estes equipamentos influenciam diretamente na qualidade do produto final e na eficiência econômica das plantas

Enquanto os digestores – com grande capacidade de troca térmica por meio da injeção de vapor na camisa e no eixo rotativo – são responsáveis pelos processos de coção (cozer) dos resíduos cárneos e de hidrólise (processo químico em que há a quebra de uma molécula de água) das penas e pelos, ou seja, retira a umidade do material a ser processado; as prensas fazem a extração da gordura dos resíduos cárneos – através de helicoides que direcionam o produto contra um cone de estrangulamento e filtra o óleo por meio de barrilhas dispostas uniformemente em um cesto que envolve as helicóides. Seu rendimento implica no residual de gordura deixado na farinha. Quanto melhor o rendimento da prensa maior a quantidade de óleo extraído do subproduto. A partir destes processos descritos acima chega-se a dois importantes produtos finais: as farinhas e os óleos.

De modo geral, as principais evoluções destes equipamentos estão relacionadas a um maior desempenho, com melhor tempo de processo e maior extração de óleo. Vale ressaltar também a implantação de sistemas supervisórios para controle e monitoramento do processo onde o operador apenas administra o sistema e as condições de segurança dos equipamentos. Com a exigência da aplicação da norma NR.12, todas as partes móveis dos equipamentos estão protegidas mecanicamente e eletricamente, evitando a ocorrência de acidentes, buscando o bem-estar e a segurança dos colaboradores, minimizando os riscos à saúde e integridade física dos operadores. “Essas incorporações de tecnologias representam um ponto chave para o crescimento das graxarias e frigoríficos, pois elevam a capacidade produtiva e torna o sistema econômico do setor mais eficiente”, analisa Charles Luís Batistella, supervisor de engenharia da empresa Prestatti, que desenvolve digestores e prensas.

 

À disposição do mercado há hoje uma grande variedade de opções de digestores (contínuos e de bateladas) e de prensas. A escolha se dará de acordo com cada necessidade e diferentes fatores, mas com um ponto em comum: diminuir os custos de produção e aumentar a rentabilidade. Aspectos como consumo de vapor (para os digestores) e capacidade de extração de óleo (para as prensas) devem ser muito bem avaliados. “Por serem equipamentos fundamentais ao processamento dos resíduos animais, no momento de aquisição deve-se levar em consideração a eficiência de consumo térmico e elétrico. Acrescento ainda a importância para o atendimento às normas de segurança e a manutenção facilitada”, pontua o engenheiro Renato Biazussi, gerente comercial da Dheytécnica, que também oferece ao mercado diferentes opções de prensas e digestores.

 

Checar os resultados dos equipamentos, incluindo a eficiência energética e vapor, bem como as características técnicas de fabricação, como os materiais empregados na fabricação, espessuras e qualidade de chapas, dos tubos e acessórios são, por exemplo, outros aspectos que precisam ser levados em consideração no momento da aquisição, sugere o sócio-diretor da LDS Máquinas, José Roberto Labarce. “É importante que o fabricante forneça todos os documentos pertinentes às normas de segurança, do projeto, da fabricação e dos testes. Aqui na LDS disponibilizamos todos estes documentos, dentre eles, manual, relatório de teste hidrostático, documentação dos processos de soldagem etc.”

Um importante alerta é feito por Ed Carlos Roso, do departamento técnico comercial da Thor Máquinas: “muitas vezes para comprar um equipamento o cliente opta simplesmente pelo menor preço, o que pode resultar em um alto custo se não avaliado corretamente e feita a devida equalização e análise das características dos maquinários. Para adquirir digestores e prensas é imprescindível considerar o volume de produção, o turno de trabalho e os custos de produção.”

 

O supervisor da Prestatti, Charles, acrescenta mais alguns importantes aspectos a serem observados ao adquirir os digestores e prensas: o tipo de subproduto a ser processado, como esse material chegará (transporte hídrico, rodoviário etc) e, acima de tudo, a quantidade a ser processada diariamente. “O montante de matéria-prima é que irá viabilizar ou não o projeto de uma graxaria, que determinará a quantidade de digestores e prensas necessários, a capacidade de produção de cada máquina, assim como, a necessidade de equipamentos periféricos, como transportadores, moinhos, silos, entre outros que integram o processo”, exemplifica.

 

Dheytécnica

 O fabricante fornece digestores de batelada nas linhas Standard e Master de 5 mil litros a 15 mil litros, podendo ser equipados com sistema automático de carregamento, descarregamento e de controle de cozimento. Também há os digestores contínuos de 4.000kg/h a 15.000kg/h. Já as prensas da linha tradicional são encontradas com capacidades que variam de 1.000 a 5.000 kg/h e na linha Extreme de 1.000kg/h a 5.000kg/h.

O engenheiro Renato Biazussi reforça a relação custo-benefício como um dos principais atrativos dos digestores e das prensas desenvolvidos pela empresa, além da robustez, eficiência e facilidades na manutenção, permitindo, por exemplo, baixo consumo térmico e elétrico, a troca das peças de desgaste de maneira simplificada e segura, além do baixo custo.

 

Recentemente foram lançados os digestores de batelada, da linha Master, que apresentam uma grande área de troca térmica, de volume e expansão, permitindo trabalhar com maior carga e processar em menor tempo, quando comparados aos digestores de batelada convencionais. Também possuem sistema automático para carga e descarga, garantindo a segurança operacional. O outro lançamento foi do digestor contínuo, uma máquina compacta e de grande eficiência de evaporação  e possibilidade de automação total do processo, garantindo excelência na produção com baixo consumo térmico e elétrico. “Com o tempo, os digestores tornaram-se mais compactos e eficientes, com uma considerável redução do consumo energético. Já com as prensas chegou-se  a uma maior eficiência de extração de gordura e, principalmente, houve melhorias no processo de manutenção e troca de peças de desgaste, que hoje representa uma grande dificuldade para as graxarias”, analisa Renato.

 

Dupps

 O fabricante desenvolve digestores contínuos e de bateladas, sendo que no caso dos contínuos, uma mesma máquina pode processar de 3000 kg/h até 35000kg/h. Na categoria de prensas há seis modelos e uma variação de 28 tipos de eixos, possibilitando determinar corretamente a prensa para cada processo. “Em virtude do número de combinações que podemos fazer entre os modelos de prensa e de eixos, conseguimos determinar a prensa correta para cada cliente e deste modo temos os maiores índices de extração de gordura no mercado”, comemora o gerente comercial da Dupps, Carlos Eduardo Linzmeyer de Brito, destacando ainda a elevada automação das máquinas. “Há muitos exemplos de plantas em que apenas uma ou duas pessoas operam todo o processo.”

 

Apesar do digestor contínuo ser relativamente novo no Brasil, a empresa Dupps – com mais de oito décadas de atividades – destaca o seu know-how no desenvolvimento deste equipamento, que em 1961 já o patenteava. “Fomos responsáveis por um importante marco neste mercado, já que o equipamento surgia para contribuir com o aumento na produção e redução dos custos, possibilitando a criação de plantas concentradoras, as quais coletavam materiais de vários frigoríficos, com isso os empresários podiam otimizar seus rendimentos”, recorda o gerente comercial da Dupps, Carlos Eduardo Linzmeyer de Brito.

 

Outra grande contribuição destacada pela Dupps foi no desenvolvimento dos helicoides. Foram mais de 7,5 milhões de dólares investidos na construção do helicoide chamado TuffCast, em sua construção foi possível empregar dois diferentes materiais, com isso chegou-se a um núcleo resistente ao impacto com o material a ser prensado, sendo também super-resistente ao desgaste. O resultado é uma peça que dura até três vezes mais do que os similares – há casos em que as prensas trabalharam por mais de 2,5 anos sem executar nenhuma intervenção. Além disso, é possível extinguir o processo manual de preenchimento de helicoides.

E os investimentos da Dupps não param. Neste ano, a empresa está investindo mais de 10 milhões de reais, somente no Brasil. Dentro deste aporte está a construção de um novo galpão em Mauá (Grande SP), atendendo a demanda dos clientes em toda a América do Sul. “Dentro desta nova sede conseguimos fabricar todos os equipamentos para graxaria e, obviamente, os digestores e prensas são os principais itens. Apesar de já termos uma fábrica em operação no Brasil, há alguns itens que não abrimos mão de importar, como é o caso dos helicoides, para os quais dedicamos anos de investimentos e engenharia, resultando no melhor produto do mercado.”

 

Julian 

Tendo em seu portfólio, digestores com capacidades que variam de 5 mil litros a 9 mil litros e prensas de 2.000 kg/hora até 5.000 kg/hora de entrada, a Julian há quase quatro décadas se propõe a trabalhar em busca do aprimoramento e melhorias contínuas em seus equipamentos, visando reduzir o tempo e custos das manutenções. “Dedicamos os nossos esforços para que os digestores trabalhem no menor tempo possível, pois assim, além de reduzir o consumo de energia e vapor, reduz também a produção de borra dentro do processo. Enquanto isso, a prensa – tratada como o ponto principal do processo, uma vez que tem como objetivo extrair o sebo da torta – deve retirar o máximo do sebo e secar a torta utilizando o menor consumo de energia elétrica. A matemática é simples: “cozinhar” os subprodutos em um tempo cada vez menor, extraindo o máximo de sebo e gastando pouca energia”, afirma Junior Julian, diretor administrativo e financeiro da Julian.

 

LDS
Com várias opções de digestores, nas versões de batelada e contínuos, de 2.000 a 16.000 litros por processos e prensas de 200 Kg/h a 6.000 Kg/h com sistemas de regulagem manual ou hidráulica, a LDS apresenta novidades como o digestor para hidrolise de penas de processamento rápido, prensas hidráulicas de eixo cônico e a prensa especial para secagem de rúmen, que possibilita a imediata queima  após prensagem deste produto nas caldeiras, reduzindo a queima de lenha e os impactos ambientais com o devido destino deste subproduto. “Nossos equipamentos apresentam uma manutenção simples, resultados satisfatórios nos quesitos tempo e rendimento, além de serem fabricados pelos melhores métodos de fabricação, dentre eles, o processo de soldagem qualificado por processos de MIG, TIG e arco submerso”, esclarece o sócio-diretor, José Roberto, acrescentando que graças a um trabalho cada vez mais próximo com os clientes e possível realizar um aprimoramento dos projetos, viabilizando as atuais exigências, aplicando-as nos equipamentos e soluções. “Os clientes exigem que os equipamentos apresentem os menores tempos de processo com os melhores resultados de cozimento e extração de óleo, além de menos paradas para manutenção. Levando em consideração estes aspectos contamos com processos rigorosos de fabricação e tratamentos térmicos, garantindo maior vida útil dos componentes e peças, além de dispositivos e sistemas exclusivos para a execução das manutenções.”

 

Prestatti

O fabricante desenvolve digestores de bateladas e hidrolizadores com eixo de pás misto e tubular, de alto rendimento e capacidade que varia de 3.000 a 20.000 litros.

Na categoria de prensa disponibiliza a expeller de 1.000 a 5.000 kg/h. São diversas configurações de cone, cesto e barrilhas, de acordo com a disponibilidade de investimento do cliente.

 

Charles Luís Batistella, supervisor de engenharia da Prestatti, declara que o diferencial dos seus digestores está no tempo de processamento em relação ao consumo de energia, assim como na possibilidade da automação completa destes equipamentos, onde todo o processo – desde o carregamento até a descarga do produto – é controlado através de um software via IHM. No caso dos digestores para linha de penas, o processo de hidrólise, pré-despressurização, despressurização e pré-secagem também são controlados via IHM, possibilitando ao cliente obter relatórios em tempo real da produção e consumo de vapor.

O executivo da Prestatti aponta também os diferenciais nos eixos dos digestores, que possuem sistema exclusivo de vedação estanque, não necessitando de juntas entre o eixo e os semieixos, evitando os vazamentos decorrentes do rompimento destas juntas, o que poderia ocasionar altos custos de manutenção, além da indisponibilidade do equipamento no processo. Os digestores Prestatti são totalmente adaptáveis ao layout do cliente, podendo variar o seu diâmetro e comprimento a fim de atingir a capacidade necessária.

Em relação às prensas expeller, Charles, explica que o diferencial está no sistema de prensagem. A abertura e o fechamento do cone e do cesto acontecem por sistema hidráulico, proporcionando maior agilidade na hora da manutenção, maior precisão no controle da prensagem e segurança do operador. Também possuem sistema de retirada da borra e de óleo através de uma rosca helicoidal, que transporta o produto até o percolador de óleo, não necessitando de um tanque coletor adicional, reduzindo assim os custos com a aquisição de equipamentos. As prensas podem trabalhar totalmente automatizadas interligadas a um software e controladas via IHM.

 

A engenharia da Prestatti está em fase de desenvolvimento de um novo modelo de cone para a prensa. Com esta novidade, que já está sendo testada, a proposta é diminuir tanto o tempo de manutenção, quanto dos custos das peças de reposição, já que há menos componentes agregados ao equipamento, permitindo inclusive que o equipamento seja revertido, evitando a obstrução na saída do produto.

 

SNT Máquinas

Em seu portfólio há uma ampla linha de digestores e prensas, independente da capacidade de produção, atendendo a grande maioria das necessidades gerais e específicas dos clientes e do tipo de processamento. Na categoria de digestores há os contínuos, semicontínuos e de batelada. “Todos os nossos digestores são dimensionados cautelosamente para que o cozimento seja feito em menor tempo e com maior eficiência para que a extração na prensa atenda as necessidades de gordura residual do cliente. O eixo de alto rendimento é um aspecto chave nesse processo, estando presente em todos os nossos digestores, até mesmo no método por bateladas em que o sistema de tiragem de vapor condensado do eixo é similar ao utilizado no digestor contínuo, melhorando o cozimento do subproduto”, afirma Matheus Stefanin, engenheiro mecânico do departamento de engenharia e tecnologia da SNT Máquinas.

Em relação às prensas, são disponibilizadas para vísceras, ossos e a desaguadora. “Sabemos que o rendimento das prensas está diretamente ligado à vida útil de seus componentes internos, por isso, desenvolvemos projetos utilizando materiais específicos para cada função, diminuindo consideravelmente o desgaste das peças e prolongando sua eficiência.”

 

Pensando na necessidade de uma prensa que consiga unir eficiência na extração e capacidade de produção foi desenvolvida recentemente a versão P5. De acordo com a empresa, este modelo de prensa conta com as mais novas tecnologias presentes no mercado, como regulagem hidráulica, controle automático total da máquina pelo painel de controle, alimentador com inversor de frequência dentre outros diferenciais que são capazes de manter a gordura residual da torta entre  9% a 12%, sem perder a capacidade de produção de 5000 kg de produto processado por hora.“Há uma grande necessidade de implementar melhorias  nos digestores e nas prensas (considerados o coração das graxarias) para que seja possível atender às rigorosas demandas de hoje em dia. Ao longo dos anos desenvolvemos, por exemplo, eixo de alto rendimento para digestores, sistemas de controle hidráulico para prensas, entre outros, que representam uma evolução considerável na qualidade do produto final e uma perspectiva de alta produção para as graxarias, com menor custo operacional”, lembra Matheus.

Para entregar soluções de qualidade e confiabilidade, a SNT Máquinas investiu R$ 1.000.000,00, que incluiu aquisições e melhorias em seu centro de usinagem, no conjunto de solda por arco submerso e em programas de treinamento para capacitação de soldadores. “Desta maneira temos capacidade para agilizar a produção das prensas e digestores, sabendo que continuamos entregando produtos de qualidade e que atendem as mais diversas demandas”, afirma o engenheiro, Matheus.

 

Thor Máquinas e Montagens

Digestores de batelada com capacidade que inicia em 3mil litros e vai até 16 mil litros, digestores contínuos com diversas capacidades de produção/hora, linha de hidrolizadores e secadores contínuos para o processamento de penas e sangue são disponibilizados pela Thor Máquinas e Montagens, que também comercializa as prensas expellers que são na grande maioria as hidráulicas com capacidade de 2,0 e 4,0 ton/h, além das prensas convencionais com menores capacidades.

Tendo um departamento de engenharia que trabalha em busca de melhorias contínuas e alta performance dos equipamentos, a Thor afirma que a principal evolução dos digestores se deu no que diz respeito à eficiência, oferecendo maior capacidade de produção com menor custo de processo – que inclui consumo de energia e manutenção, garantindo para o cliente maior lucratividade. A empresa desenvolveu e patenteou os digestores de batelada tipo Gold, que afirma, apresentam alta tecnologia garantindo processo rápido e eficiente, com baixa potência aplicada e menor custo de manutenção.

No caso das prensas hidráulicas, a busca foi para garantir maior extração e durabilidade das peças. “Lembro ainda que todos os nossos equipamentos estão em conformidade com NR12 e demais normas vigentes no mercado. Resumidamente, destacaria que as principais características que pontuaria em nossos equipamentos são: alta tecnologia, eficiência, robustez e menor custo de manutenção”, esclarece Ed Carlos Roso, do departamento técnico comercial da Thor Máquinas e Montagens.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA GRAXARIA – ED. MAI/JUN 2017

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »