18 out, 2017
por Daniel Geraldes
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Segurança Alimentar é a Nova Cultura

Segurança Alimentar é a Nova Cultura – Por Tina Caparella

Muitas vezes os processadores pensam que o consumidor de rações para pets é maluco,” afirmou a Dra. Michele Sayles, da Diamond Pet Foods, no seminário de 2016 do Conselho de Proteína e Gordura de Aves (Poultry Protein and Fat Council -PPFC) da Associação Americana de Aves e Ovos (U.S. Poultry and Egg Association) no começo de outubro em Nashville, Tennessee. “Mas, nós estamos fazendo um produto de qualidade alimentar humana a partir de ingredientes de qualidade alimentar não-humana.”

“Nós fazemos fórmula para lactentes que por acaso você usa para alimentar o seu cachorro,” continuou Sayles, explicando que os fabricantes de ração para animais domésticos devem seguir os mesmos padrões microbiológicos das fórmulas para lactentes impostos pelo FDA. “Isto é uma tarefa enorme,” ela acrescentou. Como a ração para animais domésticos é vendida em supermercados e acaba ficando no mesmo carrinho e sacola que os alimentos humanos, o FDA demanda tolerância zero para Salmonella na ração para pets apesar de haver pouquíssimos relatos de doenças em humanos e de nenhuma morte causadas por ração para pets.

“Não importa se o risco da Salmonella é real ou imaginário, a segurança alimentar é a nova cultura,” afirmou Sayles. Ela observou que a pressão não está vindo apenas dos reguladores e da nova Lei de Modernização da Segurança Alimentar (Food Safety Modernization Act -FSMA), mas também de varejistas e de consumidores, pois há mais animais domésticos do que crianças nos lares dos Estados Unidos. Sayles afirmou que essa nova cultura de segurança alimentar para ração de pets demandará envolvimento de todos, fornecedores, transportadores consumidores, e não apenas dos fabricantes de ração para pets. Sayles disse que a questão número um de qualidade específica para ingredientes processados é consistência. Como o olfato de um cão é 5o vezes mais sensível do que o olfato humano, fornecedores de sabores e ingredientes de aroma (i.e., proteínas e gorduras animais), além de atender aos requisitos específicos, devem também fornecer o produto de mais alta qualidade para garantir consistência de cheiro, sabor e cor.

“Eu acho que podemos progredir muito em todas as frentes através do trabalho coletivo”, concluiu Sayles.

Muitos dos outros palestrantes durante o seminário de um dia e meio do PPFC eram trabalhadores de plantas de graxaria que compartilharam suas experiências e ações e as das empresas em que trabalham em relação a operações da planta, segurança e qualidade do produto. Jacob Swann e Steve Smith, ambos da American Proteins Inc., discutiram a contaminação por materiais externos no produto final e na matéria prima. Swann declarou que compradores e fabricantes de ração para animais domésticos juntamente com FSMA demandam altos padrões para garantir segurança dos animais domésticos, portanto os processadores devem trabalhar arduamente para garantir um produto final limpo. Ele colocou a contaminação em perspectiva, explicando que cinco “specs” de materiais plástico ou não-ferroso encontrados em uma amostra de meio quilo se convertem em 250.000 “specs” em uma carga de caminhão ou produto final. Para material ferroso, 100 gramas em uma amostra de meio quilo podem significar 5 quilos por carregamento.

“Eu também não daria isso para meus animais,” exclamou Swann. Como primeira linha de defesa, motoristas de caminhão de coleta devem ser treinados para inspecionar e examinar matéria prima procurando materiais contaminados antes do carregamento. Smith sugeriu o uso de câmeras para visualizar a carga do caminhão quando entra na planta antes da descarga.

Posters e materiais informativos em mesas distribuídos pelas plantas ajudarão a educar os funcionários sobre a importância de garantir que a matéria prima esteja livre de contaminação física. O treinamento de novos funcionários com vídeos e em reuniões de segurança, mensais e trimestrais, também proporcionarão uma educação continuada. Smith disse que os processadores devem ser vigilantes em relação à educação dos trabalhadores de fornecedores de matéria prima sobre os riscos da contaminação física devido à rotatividade de pessoal.

Jim Rofkahr, da Tyson Foods, abordou a segurança do sulfeto de hidrogênio, relatando como essa empresa processadora de aves garante que os funcionários estão a salvo desse gás incolor, inflamável, extremamente perigoso depois da morte de um funcionário em 2004. Bombas de fumaça são utilizadas para determinar as vias de ventilação, assim decisões podem ser tomadas sobre onde instalar ventiladores em áreas de águas residuais, de armazenagem de matéria prima e de processamento. Monitores de H2S pessoais também são colocados nos colarinhos das camisas dos funcionários, ficando assim próximos de onde os funcionários respiram e alarmes estacionários estão estrategicamente distribuídos pela planta. A Administração de Segurança e Saúde Ocupacional oferece treinamento sobre H2S online.

James Emerson, da Pilgrim, falou sobre a nova lei FSMA que teve o seu primeiro dia de vigência em setembro.

“A maioria de nós vem fazendo há anos o que a lei FSMA demanda,” Emerson declarou. Processadores devem documentar de modo apropriado o treinamento dos funcionários da planta e provar que a planta está de acordo com os padrões operacionais, utilizando registros de análises, gráficos dos fornos e participando no programa de testes da Indústria de Produtores de Proteína Animal. Ele avisou que muitos auditores que vão a uma planta de graxaria não têm ideia do que estão vendo.

Muitos palestrantes no seminário examinaram a eficiência do equipamento de graxaria, de reconstrução de centrífuga e aplicações para fornos convencionais e tecnologia de pré-tratamento de águas residuais usando flotação de ar em suspensão. Dave Millé, da Mid-South Steam Boiler and Engineering Co. Inc., abordou as causas comuns das falhas dos vasos de pressão e a importância da inspeção apropriada, chamando a atenção para o fato de que 40% dos vasos com falhas possuíam rachaduras invisíveis.

Ken Wilson, da Simmons Foods Inc., subiu ao palco para discutir aquicultura no lugar de um palestrante que faltou. Uma observação surpreendente para todos foi que atualmente em todo o mundo as propriedades agrícolas criam mais peixes e frutos do mar do que carne bovina, o que significa que ingredientes alternativos de ração serão necessários para alimentar as mais de 500 espécies de peixes criadas ao redor do mundo. Pesquisas mostram que gorduras processadas ajudam a manter o valor nutricional na ração para aquicultura e são uma boa alternativa para substituir o caro óleo de peixe.

A mistura de gerações dos participantes ouviu sobre como se envolver com a geração Y, um grupo nascido entre o início da década de 80 e o início de 2000 que representará 50% da força de trabalho em 2020. Chelsea Eller, da U.S. Poultry and Egg Association, ela própria um membro da geração Y, observou que 75% dos gerentes concordam que o gerenciamento de equipes multi-generacionais é um desafio.

“Como a geração Y cresceu com a tecnologia, os baby boomers (nascidos nas décadas de 40 e 50) podem se sentir intimidados por nós,” comentou ela. “Mas, nós nos sentimos intimidados pelos baby boomers, portanto, todos nós precisamos trabalhar juntos.” Eller disse que a geração Y é dedicada ao emprego se tiver um bom relacionamento com o supervisor, mas, eles não temem sair de um emprego se não gostam do chefe. Muitas vezes chamados de geração “merecedora”, a geração Y tem realmente dificuldade em seguir protocolos ainda que seja motivada por oportunidades de crescimento e prefira um feedback regular da performance em vez de uma avaliação tradicional anual. Eller aconselhou a juntar as forças das múltiplas gerações e mostrar respeito mútuo pelos diferentes estilos de trabalho.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA GRAXARIA – ED. JAN/FEV 2017

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