1 jul, 2017
por Daniel Geraldes
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Soluções que garantam uma destinação com sanidade e rastreabilidade

É preciso avançar no debate, nas pesquisas e no desenvolvimento de soluções

Defensor de medidas que englobem um debate profundo entre os setores envolvidos junto com pesquisas científicas e desenvolvimento de soluções que  garantam uma destinação segura com sanidade e rastreabilidade, o médico veterinário, diretor presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) e atual presidente do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (FONESA), Inácio Afonso Kroetz, falou com a Revista Graxaria sobre destinação de carcaças, apresentou sua visão e o envolvimento das duas entidades com o tema.


Legenda: Inácio Afonso Kroetz: “O processo deve ser melhor conhecido, delineado e muito bem avaliado e, obviamente, adequadamente fiscalizado”
Revista Graxaria – Qual a sua opinião sobre a destinação de carcaças no Brasil?

A destinação de carcaças é uma necessidade e deve ser objeto de estudos para que seja sustentável. As opções de tratamento das carcaças dentro das propriedades ainda devem ser exploradas em virtude de menor risco de disseminação de doenças. A remoção das carcaças ainda deve continuar sendo estudada até que se encontre um processo logístico e tecnológico seguro.

 

Revista Graxaria – Qual o envolvimento do Serviço Público Estadual quando se trata de destinação de carcaças de animais mortos em propriedades rurais?

Dentre outras, o Serviço Veterinário Oficial tem atribuição de fiscalizar a produção, o trânsito de animais de interesse da defesa agropecuária sendo, principalmente, os bovinos, os suínos e as aves e seus produtos, de acordo com as normas federais e estaduais.

 

Revista Graxaria – A tecnologia atual, a compostagem, atende as demandas dos produtores rurais?

Em grande parte dos casos atende. O que tem acontecido é que o aumento da dimensão e da capacidade de alojamento das estruturas mais modernas culminou com a necessidade de revisão desses processos. Por isso, essa pauta tem sido discutida frequentemente. É um novo desafio tecnológico que as cadeias produtivas devem superar.

 

Revista Graxaria –  Na sua opinião, há alguma tecnologia de processamento adicional à atual que poderia ser adotada?

Acredito que temos muitas alternativas já existentes e ainda outras para serem desenvolvidas. Deve haver uma mobilização do setor produtivo no sentido de incentivar e apoiar as pesquisas sobre o tema para que as tecnologias existentes possam ser aprimoradas e as novas ideias e conceitos sejam postos em prática.

 

Revista Graxaria –  Existe alguma instrução oficial, normativa ou recomendação da ADAPAR de como o produtor deve proceder para o descarte de animais mortos?

O Decreto Estadual 12.029/2014 que regulamenta a Defesa Sanitária no Estado do Paraná proíbe a remoção de animais mortos de propriedades rurais, salvo em situações especiais sobre fiscalização da Adapar nas áreas de sua competência.

 

Revista Graxaria –  O que o produtor pode fazer em casos de catástrofes ou calamidades quanto à destinação dessas carcaças?

Se for por motivos sanitários (doenças) o Serviço Estadual de Defesa Agropecuária, em conjunto com a autoridade de meio ambiente, irá definir o procedimento e o local de destinação. Para isso existe o GEASE – Grupo Especial de Atendimento a Situações Emergenciais – constituído por vários órgãos públicos e privados para atuar nesse tipo de ocorrência. No caso de empresas integradoras e cooperativas de produção, assim como produtores independentes, devem prever as ações em planos de contingência para essas situações.

 

Revista Graxaria –  Como os órgãos estaduais podem contribuir para que o procedimento de remoção de carcaças se dê de forma controlada e rastreável?

Se esse procedimento for adotado, certamente, caberá ao serviço veterinário estabelecer todo um processo de fiscalização regulamentado como garantia de que a remoção está se dará de forma apropriada.

 

Revista Graxaria –  Dentro do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (FONESA) a destinação de carcaças já foi tema de debate?

 

Em reuniões do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária – FONESA foi tratado sobre essa temática, pois é uma grande preocupação, em especial, para os estados do Paraná e Santa Catarina que têm criação de suínos mais adensadas. São locais onde a atividade da suinocultura gera uma produção bastante significativa de carcaças diariamente que são resultantes do sistema intensivo de produção. Nesses estados a demanda por solução é urgente.

Sabemos que nem todos animais que vêm a óbito numa produção ou granja são por causas infeciosas ou infectocontagiosas. Existem fatores ligados ao manejo, à queda de energia, à reprodução, à temperatura, ainda temos as catástrofes naturais, muitas vezes imprevisíveis. Porém, há um percentual de mortalidade esperado, que precisa ter uma destinação de modo a não saturar o meio ambiente, porque uma vez saturado, os riscos sanitários aumentam. As modalidades de destinação de carcaças previstas em regulamentação tanto estadual quanto federal não preveem algumas tecnologias que sabemos, hoje, existirem para a destinação de carcaças. Todos os estados, em maior ou menor grau, têm problemas com a destinação de carcaças de animais mortos por causas não infecciosas.

Nos encontros do FONESA foi muito debatido: como diferenciar, rapidamente na propriedade rural, com segurança, o animal morto por causas naturais dos mortos por doença? Não temos uma resposta nem um método definitivo para essa pergunta. Importante destacar que a destinação incorreta acaba por prejudicar a própria cadeia produtiva.

 

Revista Graxaria – Gostaria de falar algo mais sobre o assunto?

Esse tema ainda deve ser melhor estudado e debatido à fundo. Qualquer decisão genérica sobre remoção de carcaças de animais mortos em propriedades, à luz do conhecimento que temos hoje, seria precipitada. O processo deve ser melhor conhecido, delineado, muito bem avaliado e, obviamente, adequadamente fiscalizado. Não podemos pôr em jogo nossas exportações nem os mercados que conseguimos alcançar ao longo dos anos para atender um ou outro setor industrial. A produção de carne é um patrimônio valioso e se for atingido, todos os setores envolvidos ou não na pecuária nacional serão prejudicados. A única certeza que temos é: do jeito que está atualmente não pode ficar, porque é insustentável no curto prazo. Todos os segmentos envolvidos devem encontrar uma solução segura para que a situação não piore no longo prazo. O problema está aí, de uma forma ou de outra, precisamos de uma solução.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA REVISTA GRAXARIA – EDIÇÃO MARÇO/ABRIL 2017

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