12 mar, 2021
por Daniel Geraldes
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Uma nova era para a aquicultura brasileira

Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que a aquicultura brasileira, liderada pela produção de tilápia, inaugura uma “Nova Era”, após duas décadas de gestação e crescimento.

A década de 20, seguramente será a década em que o Brasil passará a ser um ator relevante no cenário internacional em relação à produção e comercialização de pescados. Estamos atingindo a maturidade da cadeia, que é quando as empresas passam a se beneficiar da “economia de escala”, ou seja, atingem níveis de produção que permitem diluir custos e reduzir margens por unidade produzida e com isso, tornam-se mais competitivas. Além disso, garantem a regularidade na oferta, qualidade dos produtos e acesso aos grandes mercados, interno e externo. Evidentemente que este fenômeno não acontece em todas as cadeias da aquicultura e nem em todas as empresas. Ocorre de forma mais contundente na cadeia da tilápia e num segundo plano, na cadeia do camarão, que retomou as exportações após 15 anos voltada para o mercado interno. A cadeia do tambaqui cresce, porém, carece de investimentos e estruturação.

É inquestionável, porém, que a tilapicultura brasileira mudou de patamar. Cresce a níveis superiores ao crescimento mundial, onde o Brasil já figura como o quarto maior produtor, desbrava o mercado externo com crescimento sustentável e projeção de dobrar as exportações em 2021 e atrai investimentos crescentes em todos os elos da cadeia produtiva.

A cadeia da tilápia como um todo vem se especializando e ganhando competitividade. Novas tecnologias foram desenvolvidas e disponibilizadas no mercado brasileiro através da indústria de rações, equipamentos, genética, vacinas e medicamentos.

Os aquicultores elevaram seus níveis de conhecimento e domínio do processo produtivo, incorporaram novas tecnologias, elevaram os índices de produtividade e reduziram custos, contribuindo com o aumento da competitividade do conjunto da cadeia.

O ambiente de negócios também melhorou muito nos últimos 20 anos. Políticas Públicas resultaram em mais segurança jurídica e mais investimentos, a exemplo da legislação para o licenciamento ambiental que foi sendo simplificada (Resolução Conama 413 e legislações em vários estados), a regulamentação da Cessão de Águas da União, novas linhas de crédito, a criação da Embrapa Pesca e Aquicultura, os benefícios do drawback para a tilápia estimulando exportações, a semana do peixe para estimular o consumo, etc.

Afirmar que entramos em uma “Nova Era” na aquicultura brasileira, é assumir que, além do grau de maturidade que atingimos, existem fatores que considero serem tendências e que fundamentam o otimismo.

1. O mundo continuará aumentando o consumo de pescados e precisará do Brasil como fornecedor, da mesma forma como precisa nas outras commodities;

2. O Brasil, como um grande mercado consumidor, ao voltar a crescer, demandará mais pescados e retomará a trajetória de crescimento do consumo interrompida pela crise dos últimos anos;

3. Os preços das outras carnes deverá seguir em patamares elevados nos próximos anos, o que coloca o pescado em uma posição mais favorável na hora do consumidor optar por qual proteína consumir;

4. A política de câmbio tende a se manter nos níveis atuais com o dólar valorizado em relação ao Real, algo em torno de 1:5. Isso favorecerá as exportações e restringirá importações, criando um ambiente mais favorável à produção nacional;

5. As grandes empresas do setor de carnes como a JBS, Seara, BRF e Aurora deverão entrar na produção de pescado, a exemplo da Copacol, Cvale e Pluma. Empresas multinacionais também prospectam o mercado brasileiro e aguardam o “momento adequado” para investir;

6. O ambiente de negócios deve continuar melhorando com medidas como o recente decreto que torna os processos de Cessão de Águas da União mais ágeis. Vários estados seguem com medidas na mesma direção.

7. A profissionalizando da cadeia produtiva continuará em Ascenção, com adoção de novas tecnologias e novas formas de organização;

8. As entidades do setor produtivo, que se fortaleceram na última década, serão mais representativas e com mais poder junto aos Governos, Congresso Nacional e Casas Legislativas, na defesa dos interesses do setor;
Enfim, este conjunto de fatores não deixa dúvidas de que entramos em uma “Nova Era” na aquicultura brasileira. Em breve assistiremos o nosso país ocupando um assento na mesa de negociações dos grandes players mundiais do pescado.

ALTEMIR GREGOLIN
Médico Veterinário, Mestre em Desenvolvimento Rural, Professor da FGV, Consultor e Ministro da Pesca e Aquicultura de 2006 a 2010.

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